sábado, 2 de junho de 2012

ASSIM É...


O desmentido do ex-ministro Jobim à versão do ministro Mendes, antes da publicação da revista Veja (razão, muito provavelmente, de o assunto não ter sido a matéria da capa, bombástica capa), 'melou' o plano.

Resultado: a maioria dos ministros do STF considerou o assunto Mendes-Lula um imbróglio pessoal, Mendes não desmontou o desmentido de Jobim e a CPMI do bicheiro Cachoeira fluiu em nível superior ao até então observado.

Eis que a nova edição da Veja, de olho em Lula, estampa na capa os dizeres "um tiro no pé", proclamando-se vitoriosa (?!!).

Ao que o blog Brasil247 pondera: "Veja venceu porque, simplesmente, proclamou sua vitória."

Observação sucinta e pertinente.  

ECOS DE PIRACICABA


Com o desenho acima, JotaA 'papou' o prêmio charge do Salão Universitário de Humor de Piracicaba 2012. A premiação não surpreende; afinal, há alguns meses este escriba, diante de tantas conquistas de JotaA em salões de humor mundo afora, 'batizou' o cartunista de Papa Salão.

Parabéns, Jotinha, inclusive pela menção honrosa em cartum, no mesmo evento. (Cadê o desenho?).

CAFEZINHO, O BOM


O café e a longevidade

Drauzio Varella

O efeito protetor foi diretamente proporcional ao número de xícaras ingeridas diariamente


Antes do primeiro café da manhã, sou um arremedo de mim mesmo.

Assim que acordo, sou capaz de executar tarefas mecânicas e de correr duas horas seguidas, mas qualquer esforço intelectual antes da xícara de café com leite é um fardo insuportável. Meu cérebro permanece em modo contemplativo até a cafeína cair na circulação.

No meio da manhã, já em plena atividade, sinto uma necessidade louca de repetir a dose; pouco mais tarde, a vontade retorna, irresistível. Se não soubesse que a cafeína tem vida longa no organismo, a ponto de o cafezinho das cinco da tarde interferir no sono da noite, seria daqueles que só vão para a cama depois de tomar o último.

Por culpa desse efeito estimulante, tomar café não faz parte do assim chamado estilo de vida saudável. Como a cafeína está ligada a aumentos do LDL (o "mau" colesterol) e a elevações transitórias da pressão arterial, sempre houve suspeita de que pudesse aumentar a incidência de doenças cardiovasculares, como os infartos e os derrames cerebrais.

Os resultados dos estudos já realizados, no entanto, foram heterogêneos e inconsistentes com essa hipótese. Pelo contrário, alguns mostraram existir relação inversa entre o consumo de café e o aparecimento de doenças inflamatórias, diabetes, derrames, infartos e ferimentos acidentais. Mas, até aqui, nenhum inquérito populacional havia conseguido relacionar os níveis de consumo diário com a mortalidade.

Para responder se quem toma café vive menos tempo, um grupo americano dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) acaba de publicar o estudo mais completo sobre o tema.
Por meio de um questionário, foram incluídos na pesquisa 229.119 homens e 173.141 mulheres saudáveis de ambos os sexos, com idades entre 50 e 71 anos. A avaliação inicial compreendia 124 itens relacionados com o estilo de vida e a dieta: consumo de vegetais, frutas, gordura saturada, carne vermelha ou branca e o total de calorias ingeridas.

Dos participantes, 79% tomavam café de coador, 19% café instantâneo, 1% expresso e 1% não especificou o modo de preparo. De acordo com o número de xícaras tomadas diariamente, o grupo foi dividido em dez categorias.

Comparados com os que não tomavam café, entre os consumidores havia mais fumantes, mais gente que tomava três drinques ou mais por dia e ingeria quantidades maiores de carne vermelha. Também tendiam a apresentar nível educacional mais baixo, a praticar menos exercícios extenuantes e a comer menos frutas, vegetais e carne branca. Por outro lado, havia menos casos de diabetes entre eles.

Durante os 14 anos de seguimento dessa população, foram a óbito 33.731 homens e 18.784 mulheres.

De início, os dados pareciam mostrar que o consumo de café estaria associado ao aumento da mortalidade. Depois de eliminar fatores como cigarro (especialmente), sedentarismo e obesidade, entretanto, ficou claro haver uma relação inversa: quanto mais café, menor o número de mortes.

Além de diminuir a mortalidade geral, tomar café reduziu a mortalidade por diabetes, doenças cardiorrespiratórias, derrames cerebrais, ferimentos, acidentes e infecções. As mortes por câncer não foram afetadas.

O efeito protetor foi diretamente proporcional ao número de xícaras ingeridas diariamente. A diminuição mais acentuada da mortalidade aconteceu no grupo de seis xícaras ou mais por dia: redução de 10% nos homens e de 15% nas mulheres. Essa associação foi independente da preferência por café descafeinado ou não, sugerindo que a proteção não ocorre por conta da cafeína.

Caro leitor, você deve estar cansado de ler artigos pseudocientíficos que apregoam as vantagens de determinados alimentos. A internet está abarrotada de sites e de mensagens que se propagam feito vírus, exaltando os benefícios do alho, do limão, da alface, do tomate orgânico, da berinjela, e por aí vai.

O estudo que acabei de apresentar foi aceito para publicação na "The New England Journal of Medicine", a revista médica de maior circulação, porque é o mais completo já realizado sobre o assunto.

Na manhã em que recebi a revista, fazia frio. Quando terminei a leitura do artigo, tomei o segundo café. Uma hora mais tarde, enquanto escrevia a coluna, tomei o terceiro. No final, o quarto, só para comemorar.

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Algum reparo? Que nada!, um cafezinho.

HAICAI DOS OUVIDOS MOUCOS


Alecrim.

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DESTEMPEROS VERBAIS
QUANDO EMANAM DO SUPREMO
NÃO SÃO DEMAIS

REDES SOCIAIS, ESTRELAS DO MEDPLAN 2012


Berzé.


O 4º Salão Medplan de Humor acontecerá em Teresina, no próximo mês.

HITCHCOCK E OUTROS CRAQUES

Cena de "A sombra branca", filme mudo de 1923, descoberto em 2011 na Nova Zelêndia. Hitchcock foi diretor de arte, roteirista, montador e assistente de direção.


Maiores que a vida

Ruy Castro

Em julho e agosto, durante os Jogos Olímpicos, Londres não viverá apenas de rapazes e moças praticando arco e flecha, tae kwon do ou marcha atlética. Aproveitará também para promover uma espécie de Olimpíada cultural, que correrá paralelamente aos eventos esportivos e terá atrações só possíveis pelo influxo de dinheiro dos Jogos.

Uma delas será a exibição de cópias restauradas de nove dos onze filmes que Alfred Hitchcock rodou na Inglaterra entre 1925 e 1929, ainda no período mudo -um trabalho iniciado há três anos pelo British Film Institute e que jogará nova luz sobre a obra inicial do cineasta.

Como não temos um Hitchcock para mostrar, mas não nos faltaram um Pelé, um Garrincha, um Didi, um Gerson, um Rivelino ou um Zico, uma medida equivalente a se tomar aqui, tendo em vista os Jogos do Rio em 2016 -ou a própria Copa de 2014-, seria a restauração do acervo do cinejornal "Canal 100", do carioca Carlos Niemeyer, hoje sob a guarda da Cinemateca Brasileira (em SP).

Niemeyer conduziu o "Canal 100" de 1959 a 1986. Donde registrou a saga de todos os esquadrões brasileiros dos anos 60, 70, 80 -tão remotos para os jovens de hoje quanto foi o futebol de Domingos da Guia, Zizinho e Leônidas para a minha geração. É só descer as latas, examinar aqueles rolos de filmes riscados, sujos e quebrados, e meter mãos à sua recuperação.

A Cinemateca tem amplas condições técnicas para isso. Falta só a verba -ridícula, frente aos gastos que se andam fazendo. Imagino a exibição de trechos de, por exemplo, um Santos x Botafogo de 1960 em telões ao ar livre, maiores que a vida, no Rio e em SP, para milhares de brasileirinhos e gringos estupefatos (eu próprio venderia a alma para rever certos Fla-Flus do passado). Mas este é um trabalho que seria preciso começar ontem -ou já.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

NA SÍRIA...


Jun Luojie.

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Massacres diários... quosque tandem?

PIB TRIMESTRAL

Fonte: Uol.

Comparado ao Produto Interno Bruto alcançado no 4º trimestre de 2011, o PIB trimestral do Brasil evoluiu 0,2%. Os itens que mais pesaram negativamente foram a agropecuária e os investimentos.

Quando se leva em conta o PIB de igual período do ano passado (1º trimestre), a evolução alcança 0,8%, o que coloca o Brasil em posição bem razoável frente a outros (parte inferior do gráfico acima).

O emprego e a renda continuam a alavancar o consumo, fazendo com que os serviços segurem as pontas. Isso graças à postura adotada pelo Brasil após o baque mundial de 2008, quando, em vez de aderir à austeridade ("receita" do FMI e outros), adotou a 'heterodoxia': ampliação do crédito estatal, desoneração fiscal, expansão dos investimentos públicos e dos programas sociais etc.

Como estaria a hoje a economia se tivesse prevalecido o tradicional 'enxugamento' dos fatores acima?

CPMI: SENSO INSENSATO


Frank.

ESPANHA: CRISE INDOMÁVEL (III)


O presidente, o banco, o déficit e a taxa de risco

Por Oscar Guisoni

A crise econômica espanhola se parece cada vez mais a uma tragédia grega. O mix de desemprego, déficit fiscal incontrolável, risco país galopante e um buraco bancário que ninguém se anima a dimensionar com certeza está resultando fatal para o governo de Mariano Rajoy, que tem apenas meio ano à frente do Executivo. A situação chegou a limites extremos esta semana, quando o presidente do Banco da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, apresentou sua renúncia sob os efeitos do estouro do Bankia, o gigante bancário recém-nacionalizado que ameaça fazer naufragar o já frágil sistema financeiro nacional. Enquanto os dirigentes políticos não atinam em encontrar soluções para a crise, o descontentamento nas ruas vai aumentando e a Europa começa a suspeitar que a Grécia seja só a ponta do iceberg e que é a Espanha o verdadeiro epicentro do furacão financeiro que pode varrer com o euro.

Os frios e aristocráticos corredores do Banco da Espanha foram testemunha, na terça-feira passada, da penúltima cena do drama. Miguel Ángel Fernández Ordoñez, o pressionado presidente da máxima autoridade monetária, jogou a toalha um mês antes da data prevista para que abandone seu cargo. Coroava com uma violenta batida de porta um longo processo que começou no final de 2008, quando começaram a levantarem-se vozes críticas contra sua gestão por não haver impedido a formação da bolha imobiliária cujo estouro deu origem à pior crise financeira espanhola das últimas décadas.

Homem de marcadas convicções neoliberais, Fernández Ordoñez havia assumido o Banco Central Espanhol em 2006, indicado pela administração do socialista José Luís Rodríguez Zapatero, de cujo staff formava parte como Secretário da Fazenda e Orçamento, às ordens do Ministro de Economia Pedro Solbes, outro reconhecido representante das teorias econômicas mais conservadoras, apesar de sua filiação socialdemocrata. Logo que assumiu, Fernández Ordoñez enfrentou o poderoso corpo de fiscais e supervisores que o acusavam de não ter conhecimento suficiente em matéria financeira. Isso não o impediu de fazer um severo diagnóstico da situação que se encontrava a economia do país, ainda que em vez de meter as mãos no complexo e embarrado mapa bancário, como demandava a situação, se dedicou a apregoar as virtudes das reformas neoliberais, exasperando o governo que o havia colocado à frente da entidade e fazendo as delicias do Partido Popular, na oposição.

Em 2011 a sorte de seu antigo chefe político acabou e Rodríguez Zapatero teve que abandonar o governo com o pior índice de popularidade de qualquer outro presidente da era democrática. Mas o novo governo do PP não estava disposto a seguir batendo no ombro de seu outrora aliado. Fernández Ordóñez se revelou rapidamente um peso para a gestão do novo governo conservador e as críticas a sua gestão da crise cresciam. Não só lhe acusavam de “falta de decisão para intervir a tempo nas entidades com graves problemas pela ‘crise imobiliária’”, segundo o jornalista do El País Miguel Ángel Noceda, mas também de “ineficiência para abordar a reforma financeira desde o principio” e de “fraqueza para enfrentar os poderes políticos”. O estouro da crise do Bankia, o novo banco, produto da unificação da maioria das caixas de poupança regionais, foi a cereja do bolo.

Bankia, um buraco negro em meio à crise
A história do gigante bancário Bankia serve para exemplificar as causas da atual crise financeira espanhola. Constituído no dia três de dezembro de 2010, o novo Banco Financeiro e de Poupança (cujo nome comercial é Bankia) nasce de uma fusão entre diferentes caixas de poupança regionais, entre elas se destacavam a Caja Madrid e a valenciana Bancaja, as quais logo se somaram as caixas das Canárias, La Rioja, Ávila e Segovia, entre outras. Estas caixas, que outrora foram o coração do sistema bancário Espanhol, uma vez que estavam monitoradas pelos poderes políticos regionais e serviam para impulsionar as economias provinciais, foram as principais afetadas pelo estouro da bolha imobiliária em 2008, já que haviam sido as entidades que mais tinham apostado no auge do boom imobiliário desde finais da década de noventa.

As “cajas”, como são conhecidas popularmente, se transformaram, no calor da bolha, em um instrumento do poder político para favorecer um grupo pequeno, mas poderoso, de grandes empresas construtoras, que foram as principais beneficiadas pelo boom da construção. Convencidos de que a bonança era eterna, os governos regionais facilitaram que se outorgassem inúmeros créditos às construtoras sem detectar que o mercado imobiliário estava saturando-se, ao mesmo tempo em que se davam generosos créditos hipotecários às famílias sem se preocupar demasiado por investigar sua solvência. O sistema foi entrando assim em uma dinâmica similar a que ocasionou a denominada “crise das subprime” nos Estados Unidos e, quando a situação explodiu de um lado do Atlântico, foi só questão de meses para que o sistema quebrasse na outra margem.

Em 2009 estava claro que as “cajas” estavam atravessando uma crise terminal. Angustiadas pelos chamados “ativos tóxicos”, a soma de dívidas não pagas de empresários e famílias em apuros, as entidades começaram a fazer balançar o sistema financeiro. A situação foi aproveitada pelos bancos, históricos inimigos das “cajas”, as quais acusavam de competição desleal e favoritismo político, para impulsionar a necessidade de uma reforma. O Banco da Espanha promoveu a fusão e transformação em um mega banco das entidades mais afetadas e o conservador Rodrigo Rato, ex-diretor do Fundo Monetário Internacional, foi posto no timão do novo gigante. No dia 20 de julho de 2011 a nova entidade começou a ser cotada na Bolsa.

Mas a entrada na Bolsa não resolveu o problema de fundo: a enorme dívida do novo banco, que nem sequer podia ser quantificada, já que as entidades originais haviam utilizado todo tipo de subterfúgios para tratar de esconder a dimensão do buraco e foi assim que começou a dança das cifras. Primeiro o Bankia afirmou que havia tido lucros em seu primeiro ano de vida, mas em seguida disse que, na realidade, havia perdido mais de três bilhões de euros. E, na medida em que o escândalo ia aumentando, aumentavam também as cifras. Rato, cuja presença à frente do mega banco tinha por finalidade injetar confiança nos mercados, acabou renunciando e o governo de Mariano Rajoy se viu obrigado a nacionalizar a entidade, para terminar admitindo que o passivo superava 20 bilhões de euros, uma cifra descomunalmente acima dos prognósticos mais pessimistas.

A taxa de risco e o déficit
Semelhantes notícias não podiam fazer outra coisa que não fosse repercutir sobre a denominada “taxa de risco”, o diferencial que a Espanha paga com respeito aos bônus alemães no mercado de dívida mundial. O índice disparou a cifras recordes na segunda-feira passada e continuou crescendo ao longo da semana, até chegar aos 540 pontos, o que, na prática, se traduz em taxas em torno de 7%, cifras consideradas extremamente altas no mercado de dívida pública. Diante desta situação tão complexa, o governo conservador não fez mais que gaguejar intenções, ampliar os cortes no gasto público e pedir clemência à Bruxelas, de onde chegavam as exigências econômicas mais severas.

A União Europeia respondeu aceitando que o país demore um ano mais para chegar ao objetivo de 3% do PIB, como máximo, de déficit público, cifra à qual deverá alcançar em 2014 e não o próximo ano, sempre que se aprofundem as reformas que Bruxelas exige. O problema é que estas medidas não só são antipopulares, mas aprofundam ainda mais a crise e terminam gerando maior desemprego. Entre o leque de novas exigências se encontra a de aumentar a idade das aposentadorias até chegar aos 67 anos, pôr em marcha uma radical reforma trabalhista que elimina direitos obtidos pelos trabalhadores ao longo de todo o século XX, ajustar ainda mais o sistema financeiro, favorecendo a sua concentração em poucas mãos e aumentar os impostos para uma população já demasiado castigada pelos angustiantes problemas econômicos.

Enquanto isso, a situação econômica começa a traduzir-se em dificuldades políticas. O Partido Socialista, agora na oposição, pediu uma comissão investigadora para tentar esclarecer que aconteceu com o Bankia, mas o fez a contragosto, uma vez que entre suas próprias fileiras existem dirigentes que tiveram responsabilidade imediata no baile desenfreado das “cajas” durante a década passada. Por sua parte, o Partido Popular tratou, por todos os meios, de evitar um debate parlamentar sobre o buraco negro do mega banco, não deixou que Fernández Ordóñez se apresentasse no Congresso para explicar sua versão dos fatos e vê com enorme preocupação como caem os índices de popularidade de um governo que assumiu há seis meses, mas que todo mundo percebe já como um executivo desgastado e sem muita margem de manobra.

Nas ruas, o descontentamento é lei. Grandes setores, como o da educação pública, estão imersos em protestos, se sucedem as manifestações contra os cortes e, para aumentar ainda mais o clima rarefeito, os governos regionais começam a ficar espantados com as intenções de Madri de intervir nas autonomias que não cumpram com os requisitos do déficit definido pelo estado central e crescem as tensões nacionalistas e regionalistas que sempre caracterizaram a vida política na península. Como pano de fundo, um desemprego que se encontra a ponto de superar a barreira psicológica dos 25% da população ativa agita ainda mais as águas.

Com sua habitual ironia ácida o semanário satírico El Jueves mostrava nesta semana, sob o título de “Má imagem”, um desconsolado Mariano Rajoy em trajes menores falando com a vice-presidenta Soraya Sáenz de Santamaría: “Olhe como estão minhas cuecas desde que sou presidente” lhe diz, enquanto mostra a cueca extremamente suja. “Deve ser isso o que chamam de MARCA ESPANHA”, responde a vice-presidenta.

ESPANHA: CRISE INDOMÁVEL (II)


Joep Bertrams.

ESPANHA: CRISE INDOMÁVEL


Olle Johansson.

FRACASSAR É FÁCIL


10 dicas para a formação de um péssimo gestor

Seguindo o modismo das listas que tanto repercutem pela mídia, André Acioli, mestre pelo Coppead/UFRJ, professor e fundador do Boteco do Conhecimento, enumerou 10 condições para formação de um péssimo gestor de pessoas. Você até pode segui-las, mas talvez não seja uma boa opção. São elas:

1. Odeie pessoas – quanto mais você detestar pessoas, maior será a sua chance. Esta é a principal regra!;

2. Não cumprimente seus funcionários – funcionários não merecem ser cumprimentados. Eles estão ali simplesmente para obedecer você. Pense neles como no cachorro do seu vizinho. Você sabe que existe, não gosta e não faz carinho na cabeça dele;

3. Jamais diga "por favor" ou "obrigado" – estes são temas proibidos no seu vocabulário organizacional. Todos devem fazer porque você manda; é uma ordem! Portanto, não há também motivos para que agradeça por uma tarefa que é obrigação!

4. Trabalhe de portas fechadas – não permita o ingresso de qualquer subordinado em sua sala sem agendamento prévio. Funcionário não tem problema! Eles têm que ser capazes de deixar todos os problemas que têm antes de bater o ponto. Se alguns insistirem em dizer que têm problemas, diga simplesmente: "não tenho nada a ver com isso!".

5. Não divida o sucesso – todo e qualquer sucesso da área é fruto exclusivo da sua capacidade de gerenciar as pessoas que lhe servem! Elogios e reconhecimento cabem somente a gestores. Não os estenda aos funcionários.

6. Aceite a sua onisciência – você não erra! Se houver equívocos de sua parte, atribua-os àqueles que lhe são subordinados. Funcionários erram o tempo todo; por isso, um erro a mais ou a menos, não fará qualquer diferença.

7. Não pague almoços – limite-se a pagar, eventualmente, um cafezinho aos subordinados que lhe bajularem. Use-os para mandar recados aos demais funcionários e para saber quais as informações circulam no ambiente da sua área de gestão. Entenda a despesa do cafezinho como um investimento necessário. Se possível, peça reembolso à empresa.

8. Não faça avaliações de desempenho ou contrate pesquisa de clima – tudo isso é besteira! O gestor é sempre capaz de falar sobre seus subordinados. Cabe ao gestor dizer se são bons ou maus executores das atividades que lhe são ordenadas e dos recursos de que precisam para tentar ser melhores. Não perca tempo contratando pesquisa para saber o que os funcionários acham de você, da empresa, uns dos outros e de como é o ambiente de trabalho: você já sabe todas as respostas e tem plena consciência de que funcionário reclama de tudo.

9. Mostre-se sempre preocupado – fisionomia tensa afasta pedidos. Quanto mais sério você se mostrar, menos solicitações de aumento, licenças, saídas mais cedo etc., terá. Sua fisionomia tensa deve ser amparada por deslocamentos rápidos e reclamações permanentes de que tem muito a fazer. Não deixe de mencionar isso em todas as oportunidades. Para comprovar, chegue antes de todos e saia pelo menos meia hora após término do expediente.

10. Não perca oportunidades de falar mal da empresa e de todos os superiores, mas lembre-se: ante cada um deles, mostre-se a pessoa mais solícita e subserviente possível. Isso lhe assegurará uma excelente imagem junto à alta administração e eliminará quaisquer riscos de que fofocas de seus subordinados que contestem esta posição venham a ser ouvidas.

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André Acioli é mestre em Administração pelo Coppead/UFRJ, professor, consultor de empresas e fundador do Boteco do Conhecimento. Além de ministrar aulas pela Mackenzie Rio e pelo IBMR-Laureatte, conduz palestras e treinamentos sobre os temas Gestão, Marketing, Negociação e Relacionamento.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

CPMI: HAICAI PRA GRANDE MÍDIA


Nani.

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A CPMI ESTÁ INDO AVANTE:
FRACASSOU O PLANO DE TAPETAR
O ELEFANTE

ELEMENTAR, SEGUNDO FREUD


Saiba como funciona a mente de um corrupto

Por Welliton Resende

Na concepção freudiana todo homem veio ao mundo para cumprir duas premissas básicas: amar e ser amado. Sigmund Freud, indiscutivelmente um dos maiores gênios da humanidade, na primeira metade do século passado sintetizara bem a missão para a qual os homens foram predestinados.

Continuando com Sigmund, este estudou e descreveu os mecanismos de defesa inconsciente do ego, que são: recalque, repressão, negação, sublimação, racionalização, projeção, deslocamento e formação de reação.

De posse dessas conclusões, observa-se que certo indivíduo, no afã de ser amado e aceito por todos, apega-se ao poder como forma de proteção à sua auto-imagem, ou seja, ele necessita estar exercendo o poder (e pra isso não tem limites) para se sentir amado e protegido.

Assim, ele desenvolve neuroses e psicoses baseadas na crença de que somente será aceito se estiver no exercício do poder; e poder deriva, na mente deturpada de nosso personagem, de patrimônio; não importando a quem pertença… se for público melhor. Eis aqui o exemplo clássico de que o ter é mais importante que o ser. É a independência completa entre o poder em relação à moral - os fins justificam os meios empregados.

Daí, nosso sujeito predisposto à corrupção, desenvolve uma série de atitudes que culminam com um comportamento constrangedor, doloroso e desorganizador que deságua na deformação da realidade: o poder acima de qualquer coisa.

Este personagem, normalmente dotado de baixa auto-estima, apresenta frustração que o leva a uma desorganização de comportamento, agindo de acordo com os seus interesses e sem grandes considerações à palavra empenhada ou aos acordos estabelecidos; assim a necessidade e desejo de auto-realização jamais serão supridos totalmente, faltar-lhe-á sempre algo.

Aliados a esses fatores, os aspectos do capitalismo que inferem que o poder está vinculado ao dinheiro. Têm-se, portanto, a mistura para a realização dessa desastrosa combustão: a personalidade do corrupto.

O que explica, por exemplo, um magistrado que tem um salário altíssimo receber propina para decidir a favor de fulano ou beltrano?

- É a crença de que mais dinheiro, mais poder, mais amigos, mais felicidade… é o relativismo moral.

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Welliton Resende é auditor da CGU Controladoria Geral da União e titular do blog Comentando os fatos.

CARTUM


Angel Boligan.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MANUAL DE REDAÇÃO


Por volta das 15:00h, o portal estampou a manchete:

"CPI convoca Perillo e Agnelo. Cabral escapa".

Muito provavelmente, o superior do editor (ou pauteiro, ou jornalista responsável) fez o alerta: "Ô, meu caro, 'Cabral escapa'?! Você está dizendo que a CPMI é um cadafalso, uma condenação?"

Por volta das 18:00h, a manchete passou a:

"CPI dispensa Cabral e convoca governadores de Goiás e DF".

(A votação para a convocação de Perillo foi unânime, a de Agnelo prevaleceu pelo placar de 16 a 12. O anúncio do resultado sobre o primeiro foi recebido em silêncio; o do segundo, com aplausos).

DE COMO EXPOR O STF


A trinca do escracho

Elio Gaspari

O que aconteceu no dia 26 de abril no escritório de Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça, da Defesa, e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal? Certo mesmo, só que lá se encontraram Lula, o ministro Gilmar Mendes e o dono da casa.

Os repórteres Rodrigo Rangel e Otávio Cabral revelaram a lembrança de Mendes. Coisa tenebrosa. Lula recomendou que se adiasse o julgamento do mensalão: "É inconveniente julgar esse processo agora" e contou que estava caitituando votos da corte.

Cármen Lúcia? "Vou falar com o Pertence para cuidar dela." Referia-se ao ex-ministro Sepúlveda Pertence, por coincidência, presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência. Dias Toffoli? "Ele tem de participar do julgamento." (O ministro, como ex-advogado-geral da União, poderia dar-se por impedido.) Ricardo Lewandowski? "Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão."

Joaquim Barbosa: "Complexado." Finalmente, Lula prensou Mendes com uma pergunta. "E a viagem a Berlim?" Por trás da curiosidade estava a maledicência de que o ministro fizera uma viagem a Berlim com o senador Demóstenes Torres e parte do paganini por conta de Carlinhos Cachoeira. O ministro rebateu a insinuação e dobrou a aposta: "Vá fundo na CPI".

O repórter Jorge Bastos Moreno ouviu a narrativa de Jobim: "Não houve nada disso". Ele contou que o encontro ocorreu por acaso, durou cerca de uma hora, e em nenhum momento os dois estiveram a sós. Dias depois, corrigiu-se e disse que marcou o encontro a pedido de Lula. O ex-presidente, por intermédio de sua assessoria, contestou, indignado, a reconstrução de Gilmar Mendes.

Alguém está mentindo. Ou mente Gilmar ou mentem Lula e Jobim.

Pela narrativa de Gilmar, "fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula". O ministro conta que narrou o episódio ao presidente da corte, Carlos Ayres Britto, na quarta-feira da semana passada, 27 dias depois do ocorrido. Infelizmente, ambos mantiveram-no restrito ao mundo de confidências que alimentam a nobiliarquia de Brasília.

Se a narrativa de Mendes é verdadeira, o escracho começou na própria conversa. Nem Lula poderia ter dito o que disse nem Mendes poderia ter ouvido. Sua perplexidade diante das "insinuações despropositadas" deveria ter sido expressa no ato.

A comunicação do ocorrido ao ministro Ayres Britto deveria ter desencadeado uma imediata iniciativa pública. A essa altura, era Britto quem não poderia ter ouvido o que Mendes lhe contou. O cargo em que está investido recomendava que pedisse ao colega que narrasse o episódio na sala de sessões da corte, ao vivo e a cores, como já fez o ministro Joaquim Barbosa quando julgou impertinente um telefonema que lhe dera um ex-ministro da Casa, advogando um caso milionário.

Nessa ocasião, Barbosa começou a construir sua fama de intratável. Um Supremo Tribunal Federal com 11 juízes intratáveis jamais acabaria metido numa história dessas.

P.S.: A memória exige o registro de que, em 2008, o ministro Gilmar Mendes, presidindo o STF, denunciou um "Estado policialesco" a partir da leitura do que seria a transcrição de conversa que tivera com o senador Demóstenes Torres. Até hoje não apareceu o áudio desse grampo.

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Sem contar os resultados do 'detetor de mentiras', post abaixo (A voz por trás da manchete).

CPMI: O ADVOGADO DO CACHOEIRA



"Eu defendo meus clientes de culpa legal. Julgamentos morais eu deixo para a majestosa vingança de Deus."


(Edward Bennett Williams, advogado norte-americano, 1920-1988. Márcio Thomaz Bastos, advogado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, parece ter-se inspirado em tal máxima. Ocorre que Edward Williams, até onde sei, limitou-se, ao longo da vida, a advogar, não havendo atuado em cargo equivalente a ministro da Justiça).

REDES SOCIAIS NO MEDPLAN 2012


Amarildo.


O Salão Medplan acontecerá emTeresina no próximo mês de julho. Regulamento: aqui.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A VOZ POR TRÁS DA MANCHETE


Li atentamente o  título da matéria, de autoria do Uol São Paulo - "Exame de voz destaca 'segmentos fraudulentos' em fala do ministro Gilmar Mendes" -, e pensei: fraudaram a entrevista!

Que nada. "Segmentos fraudulentos" na verdade seriam falas do ministro com alta possibilidade de não refletir a verdade, detectadas em exame levado a efeito pela empresa Truste Brasil.

Trechos pinçados da matéria:

. O laudo de uma perícia em análise de frequência de voz aponta trechos "fraudulentos e suspeitos" na entrevista do ministro Gilmar Mendes veiculada nesta segunda-feira (28) pelo canal "GloboNews", sobre um encontro seu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

.Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de "alto risco", cinco de "provável risco" e duas de "baixo risco".

."Alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo", afirma o perito responsável pela análise, Mauro Nadvorny.

.Veja a seguir alguns dos trechos da entrevista de Gilmar Mendes considerados "fraudulentos e suspeitos" pelo laudo de Nadvorny, acompanhados da conclusão do perito:

Gilmar Mendes: “Este assunto entrou na pauta das conversas”
De acordo com a análise do software, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o assunto (mensalão) entrou na pauta das conversas.

Gilmar Mendes: “E aí o presidente disse da importância do julgamento do mensalão, que se possível não se julgasse esse ano porque não haveria objetividade”
De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula teria dito que não haveria objetividade. Não é possível concluir que ele tenha dito algo sobre a importância do julgamento não acontecer este ano.

Gilmar Mendes: “O presidente tocou várias vezes na questão da CPMI, desenvolvimento da CPMI, o domínio que o governo tinha sobre a CPMI”
De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula tocou no assunto da CPMI.

Gilmar Mendes: “Então eu disse a ele: ‘com toda franqueza, presidente, eu vou lhe dizer uma coisa, parece que o senhor está com alguma informação confusa’”
De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que disse ao presidente Lula que ele estava com uma informação “confusa”.

Gilmar Mendes: “ 'O senhor não está devidamente informado, eu não tenho nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes”
De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que não tem nenhuma relação com a matéria da CPMI.

Gilmar Mendes: “Aí então eu esclareci a viagem de Berlim, (...) me encontrara com o senador em Praga porque isso foi agendado previamente, ele tinha também uma viagem para Praga, então nos deslocamos até Berlim. Eu vou um pouco a Berlim, como o senhor vai a São Bernardo
De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que se encontrou com o senador (Demóstenes) em Praga para ir a Berlim (para visitar sua filha) numa viagem previamente agendada.

Gilmar Mendes: “Claro que houve a conversa sobre o Mensalão, o Jobim sabe disso”
De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes muito provavelmente não está sendo verdadeiro quando afirma que a conversa existiu e que Jobim sabe disso.

Procurado pelo UOL para comentar o laudo, o ministro Gilmar Mendes não se manifestou até agora.

Equipamento

A análise de Nadvorny foi feita voluntariamente, com o software de análise de voz da Truster Brasil, o mesmo usado pelos serviços de inteligência das polícias do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.

"A tecnologia faz uma varredura em todo o arquivo de voz para estabelecer uma linha básica e aponta os techos em que a fala foge dessa linha, o que indica, em diferentes graus, que a pessoa não está sendo verdadeira", diz Nadvorny.

Segundo ele, nos trechos em que o programa aponta "alto risco", há praticamente certeza de que a pessoa está mentindo. "Isso porque a natureza humana não é construída para mentir. Quando a pessoa mente, ela está sob estresse", afirma. (Fonte: aqui).

ÉTICA NA COMISSÃO DE ÉTICA


Frank.

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- Senador Demóstenes, como o senhor explica o fato de que Cachoeira pagava a conta mensal de seu Nextel?

- Mas era um valor irrisório; quarenta, cinquenta reais...

- Mesmo se fosse um real, senador!

- V. Exa. tem razão.

CPMI: DIREITO DE FICAR CALADO FAZ ESCOLA


Ivan Cabral.

MAIS DO QUE A MERA SOMA DAS PALAVRAS


Tradutor pode matar ou melhorar obras originais

João Paulo Charleaux

Um tradutor não dá à luz novos livros. Mas pode melhorá-los. Ou matá-los.

Num ofício dividido entre a criação artística e a mera reprodução fidedigna dos originais, esse coautor de romances alheios vem ganhando prestígio maior do que as notas de rodapé podem dar.

O lançamento em português do mais recente romance do japonês Haruki Murakami, "1Q84" -programado pela editora Alfaguara para o segundo trimestre de 2012-, prova que traduzir é um trabalho autoral.

"O que fazemos exige um esforço artístico, uma vez que um texto é mais do que a mera soma das palavras", diz Lica Hashimoto.

Neta de japoneses, ela começou com textos técnicos há mais de 20 anos e hoje tem em mãos um romance que, só nos EUA, vendeu 1 milhão de cópias em 30 dias e, no Brasil, tem encomendas de livrarias há mais de dez meses.

A japonesa Meiko Shimon, que verteu para o português "O Mestre de Go", último romance do Prêmio Nobel de Literatura (1968) Yasunari Kawabata a ser lançado pela Estação Liberdade neste mês, diz que fazer pontes com o idioma japonês é muitas vezes "criar e recriar, mais do que apenas traduzir".

DIFICULDADES
O japonês impõe aos tradutores a dificuldade de trabalhar com três alfabetos diferentes, linguagem lacônica, inúmeros pronomes de tratamento e conjugações inexistentes em português.

Isso exige do tradutor algo próximo de uma coautoria, já que trechos inteiros têm de ser adaptados. "É difícil explicar peculiaridades sem perder a fluência do texto. Às vezes, nem as notas de rodapé esclarecem como é exatamente a coisa", diz Meiko.

Um exemplo da dificuldade de traduzir o japonês está em outro livro de Kawabata, "Kyoto". Nele, duas irmãs, embora gêmeas, são tratadas pelos substantivos "ani", irmã mais velha, e "imôto", irmã mais nova.

Em português, não há equivalente. Por equações como essa, Meiko diz que é comum ter um "nó na cabeça, que se prolonga por horas ou dias".

Em muitos países, os tradutores conseguem se especializar em um determinado autor ou estilo e há até mesmo prêmios literários para a categoria, mas, "no Brasil, o trabalho de tradutor não é valorizado", diz o tradutor e escritor Milton Hatoum.

Hoje, já existem originais em russo, japonês, árabe, alemão e hebraico traduzidos para o português sem escalas em versões inglesas ou francesas, como ocorria antigamente.

Mesmo assim, a maioria desses profissionais ainda vive se equilibrando em contratos incertos com as editoras, que pagam, em média, R$ 30 por página com 2.100 caracteres de tradução.

O escritor e tradutor Alexandre Barbosa de Souza, que trabalha para Companhia das Letras e Cosac Naify, diz que "em literatura, os bons tradutores costumam ser bons escritores, mas o essencial é ser um bom leitor".

"Poucos têm a oportunidade de ler melhor uma obra literária do que o tradutor."

Em 2012, Souza lançará sua obra de poemas "Livro Geral" pela Companhia, mesma editora que lançará "O Lugar Mais Sombrio", de Hatoum. Neste, a protagonista é justamente uma tradutora.

BUSCA DA ESSÊNCIA
"Uma boa tradução capta a essência do original: o ritmo, o tom e a dicção da linguagem, e também o contexto cultural e histórico da obra", descreve Hatoum.

"Não gosto de traduções literais, palavra por palavra, nem das que recorrem a artifícios exagerados, com o intuito de serem inventivas".

Para Souza, apesar de o risco de estragar as obras ser grande, há, em outros casos, a chance de melhorá-las.

"Acredito que o tradutor do Paulo Coelho seja melhor do que o Paulo Coelho original, mas nós deveríamos ser como goleiro num jogo de futebol, que, quando vai bem, é porque não se fez notar."

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Pertinente abordagem sobre o ofício da tradução - mas a observação final é no mínimo curiosa: quando o jogo de futebol vai bem, reza o dito consagrado, é porque o árbitro não se fez notar. Um bom goleiro pode ser a estrela de um jogo, sendo, claro, louvado, incensado em razão de sua performance.

OLD CHARGE


10 de maio de 1982. Primeiro Salão de Humor do Piauí. A charge acima é um dos quatro trabalhos com que participei. Delfin era uma corretora, Capemi, fundo de investimento, Proconsult, empresa ligada à Globo (tentou 'tomar' a eleição de Leonel Brizola ao governo do Rio), Baumgarten foi chefe policial do regime e Riocentro, o local onde saiu pela culatra um atentado que se pretendia atribuir aos oponentes da ditadura. A Maria Escandalosa estava mesmo com tudo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CPMI: DIVERSIONISMO PROVIDENCIAL

Charge de Berzé.

O presidente do STF, Ayres Britto, emitiu sensato juízo acerca do momentoso (ou tormentoso) assunto da hora: dos três envolvidos no tal encontro de abril passado, Gilmar Mendes e o ex-ministro Jobim se manifestaram, o primeiro atribuindo ao ex-presidente Lula graves iniciativas, o segundo desmentindo Mendes; o bom senso recomenda que se aguarde a manifestação do ex-presidente Lula.

Vida que segue. Eis a rotina da CPMI do Cachoeira: toda semana, uma nova cortina de fumaça. Quem for arguto que veja o óbvio.
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Em tempo: o ex-presidente Lula acaba de pronunciar-se. Leia AQUI.

OLD PICLES



O Pasquim nº 813, março de 1985.

CPMI: O BALANÇO DA PIRACEMA


Nani.

GRÉCIA: NÚMEROS E INCERTEZAS

Petar Pismestrovic.

.A Grécia representa apenas 2% do PIB europeu; seu peso demográfico não é muito maior que isso. E no entanto os olhos do mundo se voltam para Atenas.
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.A palavra Grécia basta para gerar calafrios nos guardiões das posições ocupadas pelo dinheiro especulativo na Europa.
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.A incerteza sobre o passo seguinte da história se instalou definitivamente na contabilidade fria das aplicações financeiras: as posições de hoje em euros valerão quanto amanhã? E depois de amanhã? Mas sobretudo, e depois do dia 17 de junho? (Eleições).
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.As urnas gregas talvez derrotem os 'yes men' e tragam ao vocabulário da crise palavras como soberania, dignidade e direito ao desenvolvimento.
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.O Syriza, a frente de esquerda anti-neoliberal, pode até não se sagrar vencedor na diferença apertada dos votos. Mas a blindagem desfrutada pela riqueza financeira na UE, graças à austeridade suicida imposta a povos e nações, está definitivamente comprometida.
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.A Grécia tem dívidas da ordem de 400 bilhões de euros com governos, bancos e instituições. Na real, os papéis correspondentes a esses débitos não valem mais a cifra carimbada na face. Assim como não valem o que prometem as ações de bancos que têm títulos a receber da Grécia, bem como o patrimônio de corretoras e fundos que investiram nessa rede e assim sucessivamente.
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.A ruptura do tampão no caso grego pode gerar perdas em cadeia da ordem de um trilhão de euros --duas vezes o fundo de estabilização financeira reunido por Bruxelas.
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.Mas a Grécia (...) é só o elo mais frágil da corrente: ao quebrar ele transfere toda a tensão da crise sistêmica para a alça seguinte.Quem será o próximo?
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Itens pinçados por este blog à vista do artigo "Grécia, o desespero da riqueza de papel", de Saul Leblon.

domingo, 27 de maio de 2012

SALÃO DE HUMOR DO PIAUÍ, 30 ANOS (II)

Os premiados do 1º Salão de Humor do Piauí - maio de 1982:

MARIANO. (Caricatura do general-prresidente João Baptista Figueiredo - que dizia preferir o cheiro de cavalo ao do povo).


CLÁUDIO OLIVEIRA. (Charge).


CLÁUDIO PAIVA. (Cartum. Cláudio assina seu cartum com um curioso Walt Disney. É que o regulamento do Salão previa o uso de pseudônimo - exigência que na prática não funcionou).

SALÃO DE HUMOR DO PIAUÍ, 30 ANOS


O primeiro Salão de Humor do Piauí aconteceu em 10 de maio de 1982. Como registrei (destaque acima) no livro 'A Terra não é Toda Azul', de 2007, a ideia da criação do Salão foi levada por Kenard Kruel ao diretor-executivo da Fundação Cultural do Estado do Piauí, José Elias de Arêa Leão, e aprovada pelo então Secretário de Cultura, Wilson de Andrade Brandão.

De fato, meu compadre Kenard levou a ideia ao Zé Elias, mas atuou mesmo como porta-voz de nosso grupo de amigos, visto que acompanhávamos o Salão de Humor de Piracicaba-SP (criado em 1974 e louvado ano após ano pela mídia, especialmente O Pasquim) e outros eventos nacionais, de modo que o 'estalo' surgiu do grupo, de que faziam parte o porta-voz e o Albert Piauhy - e este escriba e o próprio Zé Elias, entre outros.

Semana passada, cumprimentei meu querido amigo Zé Elias pelos 30 anos do Salão, ao que o Menino Maluquinho, entre outras observações, assim se manifestou:

"Enquanto o Salão de Humor pertenceu à Fundação Cultural do Piauí, mesmo com a Comissão Organizadora nomeada, toda a equipe da Fundação participava do imenso trabalho. Todos queriam fazer o melhor. Acho que assim permaneceu até a criação da Fundação Nacional do Humor. Então o Salão passou a pisar no seu próprio espaço."

Zé Elias foi feliz ao compartilhar com toda a equipe sob sua coordenação o mérito pelo sucesso do Salão. Como esquecer, por exemplo, o trabalho da guerreira Luiza Vitória Figueiredo, a Sulika?

A Fundação Nacional do Humor, criada em 1987 e até há pouco dirigida por meu compadre Albert Piauhy, expandiu as ações desenvolvidas e planeja novos voos.

Parabéns a todos os que batalharam ao longo desses 30 anos, parabéns aos novos talentos que de alguma forma foram influenciados pelo Salão de Humor do Piauí, parabéns aos veteranos, parabéns à Fundação Cultural e à Fundação Nacional do Humor.

Trinta anos!

INTERNET ROMPE O CERCO

Chapatte.

A primavera brasileira

Luis Nassif

O conceito da “primavera” foi adotado para descrever países ou comunidades em que a Internet entrou quebrando barreiras de silêncio.

Nos países de regime ditatorial, a “primavera” significou romper o controle estatal sobre a informação. Mas em muitos países democráticos significou romper cortinas de silêncio impostas pela chamada velha mídia – os grandes meios de comunicação nacionais.

Nos Estados Unidos, a blogosfera ajudou a romper o sigilo em torno das guerras do Iraque e Afeganistão. Na Espanha, antes mesmo da explosão da Internet, os sistemas de SMS (torpedos) telefônicos ajudaram a desarmar a tentativa de grandes grupos midiáticos de atribuir um atentado à oposição.

Na Argentina, há um conflito latente entre o governo Cristina Kirchner e os grandes grupos midiáticos. No momento, passeatas tomam as ruas da cidade do México, contra a imprensa local.

No Brasil, em pelo menos três episódios exemplares a blogosfera foi fundamental para romper barreiras de silêncio.

O primeiro foi na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Capitaneados pela revista Veja, a chamada grande mídia se esmerou em demonizar os agentes públicos, vitimizar o banqueiro Daniel Dantas e transformar Gilmar Mendes no maior presidente da história do STF (Supremo Tribunal Federal).

Apenas a blogosfera preocupou-se em mostrar o outro lado, o das investigações.

O episódio terminou com o Opportunity se safando junto à Justiça. Mas, no campo da opinião pública, poder judiciário, Ministros que se aliaram ao banqueiro, o próprio banqueiro e Gilmar Mendes saíram amplamente derrotados. O episódio mostrou os limites da grande mídia para construir ou destruir reputações.

Várias armações foram denunciadas pela blogosfera, como o caso do falso grampo no STF, o grampo sem áudio da suposta conversa entre Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, a lista falsa de equipamentos da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) brandida pelo então Ministro da Justiça Nelson Jobim.

O segundo episódio relevante foi a promoção do livro “A Privataria Tucana”, com indícios de enriquecimento pessoal do ex-governador José Serra. Apesar de totalmente ignorado pela velha mídia, o livro bateu todos os recordes de vendas do ano.

Agora, tem-se o caso do envolvimento da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Foram quase dez anos de parceria, que transformaram o bicheiro no mais poderoso contraventor da república.

Graças às reportagens de Veja, o senador Demóstenes Torres tornou-se símbolo da retidão na política. Com o poder conquistado, participou de inúmeros lobbies em favor de Cachoeira e de avalista das denúncias mais extravagantes da revista.

Veja sempre soube das ligações de Demóstenes com Cachoeira. Mas por quase dez anos enganou seus leitores, não só escondendo essa relação, como difundindo a ideia de que Demóstenes era político inatacável.

Na velha mídia, não há uma linha sobre essas manobras, nada sobre as 47 conversas gravadas entre o diretor da revista em Brasília e Cachoeira, as quase 200 dele com todos os membros da quadrilha.
Assim como no Egito, Estados Unidos, Espanha, México, França, é a Internet que está explodindo cortinas de silêncio.

GRÉCIA: O PESO DA CRISE


Pavel Constantin.


Frederick Delegne.

CPMI: DA SÉRIE COMO AMACIAR IMPACTOS


"O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca a CPI do Cachoeira. Reportagem da revista 'Veja' publicada neste sábado relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é 'inconveniente' e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista. Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

'O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso', reagiu Jobim, questionado pelo Estado. 'O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão', reiterou.

Segundo a revista, Gilmar confirmou o teor dos diálogos e se disse 'perplexo' com as 'insinuações' do ex-presidente. Lula teria perguntado a ele sobre uma viagem a Berlim, aludindo a boatos sobre um encontro do ministro do STF com Demóstenes na capital alemã, supostamente pago por Cachoeira. (...)"



(Matéria da Agência Estado, de ontem, 26, cuja íntegra está aqui. Limitar-me-ei ao seguinte: há dias circulam, na imprensa alternativa, rumores de que, em passado recente, o ministro Gilmar encontrou-se em Berlim, Alemanha, com Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Indaga-se: qual seria o impacto de tal revelação caso ela emergisse em primeira mão dos trabalhos da CPMI? Com certeza, estrondoso. O que se vê desde logo é que a revelação foi feita na grande mídia, debutou; caso a CPMI a confirme, não será mais, digamos, inédita; já foi 'amaciada'. É exatamente aí que, algo nos diz, reside o pulo do gato. E de quebra ainda agrava o mensalão.)